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Quaresma: refrear as paixões e voltar o coração para Deus

  • 28 de fev.
  • 2 min de leitura

A Quaresma é um tempo privilegiado de conversão, silêncio interior e retorno sincero a Deus. A Igreja nos convida, nesses quarenta dias, a olhar para dentro de nós mesmos, reconhecer nossas fragilidades e permitir que a graça divina transforme aquilo que ainda nos afasta do amor pleno do Senhor.


Santo Afonso Maria de Ligório, grande mestre da vida espiritual, oferece-nos uma orientação simples e profunda para este caminho quaresmal ao afirmar:

“Refreie as tuas pequenas paixões desordenadas, mortificando-as pela penitência e recorre sempre a Deus pela oração contínua.”

Essa exortação toca o coração da espiritualidade da Quaresma. Muitas vezes, não são os grandes pecados que mais nos afastam de Deus, mas as pequenas paixões desordenadas: o orgulho disfarçado, a impaciência constante, o apego excessivo às comodidades, a falta de domínio sobre as palavras, pensamentos e desejos. Por parecerem pequenas, acabam sendo toleradas, mas, pouco a pouco, enfraquecem nossa vida espiritual.


Santo Afonso nos ensina que o caminho para vencer essas paixões passa pela mortificação. A penitência quaresmal — seja pelo jejum, pela abstinência ou por pequenos sacrifícios diários — não é um fim em si mesma, mas um meio para educar o coração, fortalecer a vontade e devolver a Deus o primeiro lugar em nossa vida. Mortificar-se é dizer, com gestos concretos, que o amor a Deus vale mais do que qualquer satisfação imediata.


No entanto, o santo também nos recorda que esse combate não pode ser travado apenas com nossas forças. Por isso, ele insiste: “recorre sempre a Deus pela oração contínua.” A oração é o sustento da alma em meio às lutas interiores. É nela que encontramos luz para discernir, força para resistir e misericórdia para recomeçar quando caímos. Uma oração simples, frequente e confiante mantém o coração unido a Deus e impede que desanimemos diante de nossas fraquezas.


Viver a Quaresma à luz desse ensinamento de Santo Afonso é assumir um caminho de humildade e confiança: reconhecer nossas paixões desordenadas, combatê-las com a penitência e, sobretudo, permanecer constantemente na presença de Deus pela oração. Assim, passo a passo, somos conduzidos à verdadeira liberdade interior e nos preparamos, com um coração renovado, para celebrar a vitória da Páscoa do Senhor.


Que este tempo quaresmal seja, para todos nós, uma oportunidade concreta de conversão, crescimento espiritual e profundo encontro com o amor misericordioso de Deus.

 

 
 
 

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