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São Geraldo Majela: 300 anos de vida e missão que a cada dia se atualiza

há 13 horas
3 min de leitura

Numa pequena vila de nome Muro Lucano no sul da Itália, na região da Basilicata, província de Potenza, no dia 06 de abril de 1726, nascia Geraldo Maria Majela, filho do casal Domingos Majela e Benedetta Galella. O pai era alfaiate e a mãe cristã fervorosa e mulher exemplar, se ocupava da casa e era camponesa. Além de Geraldo, o casal teve outras três filhas.



Desde a tenra idade, seguindo os ensinamentos da mãe, Geraldo nutria uma profunda espiritualidade e intimidade com Jesus e Maria. Aos seis anos um fato extraordinário demonstraria essa tão profunda intimidade. Indo à Igreja em Capodigiano, aproximadamente um quilômetro de Muro, Geraldo se coloca em oração diante da imagem da Virgem Maria que nos braços carregava o Menino Jesus; e eis que neste momento o Menino Jesus salta dos braços da Virgem e começa a brincar com pequeno Geraldo. Antes de regressar a casa Geraldo recebeu das mãos do Menino um pãozinho branco, este, Geraldo leva para sua mãe que o interroga sobre a procedência do alimento, e o filho diz que havia recebido do Filho da Bela Senhora que havia encontrado na Igreja. Este episódio vai se repetir inúmeras vezes, até que em uma ocasião em que Geraldo estava com os pais em Capodigiano ele aponta para a imagem da Virgem com o Menino e revela que aquela era a Bela Senhora e o Menino que o entregava o pãozinho branco.


Outro grande episódio que acontece em sua infância é quando Geraldo, aos sete anos, sente o profundo desejo de comungar, numa época em que a Primeira Comunhão era feita na adolescência. Em um determinado dia, ele se aproxima da mesa da comunhão na expectativa que o padre lhe desse a Santa Eucaristia, porém, o mesmo não acontece e ele sai aos prantos da Igreja. Na noite daquele mesmo dia, porém, Geraldo recebe a visita do Arcanjo Miguel que lhe dá a Primeira Comunhão.


Na adolescência, a morte do pai desestabiliza a condição financeira da família, então Geraldo herda o ofício de alfaiate do pai para ajudar no sustento da casa. Além de ajudar no sustento da casa, parte do dinheiro que recebe Geraldo doa aos mais necessitados. Nisso vemos outro ponto forte em sua vida: a caridade. Um jovem rapaz que desde cedo vê as realidades de seu tempo e não se conformando vai de encontro aos mais necessitados. Apesar da saúde frágil, muitos foram os trabalhos que ele realizou ao longo de sua breve vida, e em inúmeros destes sofreu diversas formas de agressão, tanto físicas quanto verbais e psicológicas. Mas apesar disso, Geraldo nunca desanimou de servir e ajudar os que mais precisavam.


Na juventude, primeiramente tenta ser Capuchinho, porém, pela saúde frágil foi rejeitado. Depois tenta fazer-se monge, mas pela condição física seu diretor espiritual o proíbe de dar continuidade, haja visto que praticava duras penitências. Posteriormente, com a chegada das Santas Missões Redentoristas em sua cidade, Geraldo se encanta e faz de tudo para ingressar no instituto recém fundado pelo então Padre Afonso de Ligório, chegando a fugir de casa para ir atrás dos Missionários. Subestimado pelo superior da missão, ele então é enviado para fazer seu processo formativo.


Ao longo de sua caminhada, muito sofreu em vários aspectos, mas nunca se deixou desanimar diante das aflições. Morreu aos 29 anos, vítima da tuberculose, deixando um legado de ser missionário independentemente das adversidades que existam.


300 anos depois, sua história de vida ainda nos ensina a sermos sinais e faróis a irradiar, num mundo marcado pelas trevas da normalização da indiferença, a luz do amor de Deus que nos provoca a ser Missionários empenhados na luta contra esse e outros males de nosso tempo. Ser missionário seguindo o exemplo de São Geraldo nos dias de hoje é ser humano, empático, sensível às realidades existenciais. Nem sempre é fazer coisas, mas, ser presença, ser afago, ser um sorriso que contagia, um abraço que aquece. Eis a missão que o Redentor nos convida a continuar: “Nisto todos saberão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros!” (Jo 13,35).

 

Por Lucas Samuel Araújo Rocha

 
 
 

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